Por Lins Arquitetos Associados
BRASIL – Projeto Executivo
projeto executivo
Hospital Veterinário Escola da Unileão (texto fornecido pelos autores)
O Hospital Veterinário Escola da Unileão é um equipamento pertencente ao curso de medicina veterinária do centro universitário Unileão. Ele tem como objetivo atender animais de pequeno e grande porte da região, além de capacitar os alunos através da prática das atividades, sempre sob supervisão dos professores.
Fotografias: Joana França

O equipamento funciona 24 horas por dia e conta com um grande programa contendo setores de urgência, clínicas, exames laboratoriais e de imagem, internação, centro cirúrgico e fisioterapia, tudo isso para pequenos e grandes animais, o que reflete diretamente nos fluxos e no dimensionamento do edifício. Para além da prática, ou seja, do atendimento direto aos animais, o equipamento também conta com um grande centro de ensino e pesquisa, com diversos laboratórios, salas de aula e espaços livres, onde são desenvolvidas e aprimoradas tecnologias e práticas voltadas para realidade local. É o primeiro hospital veterinário da região a ser construído.




O equipamento está localizado no sertão do Cariri, sul do estado do Ceará, Nordeste do Brasil, uma região que apresenta uma heterogeneidade cultural e social bastante diversificada. É uma das regiões de maior originalidade cultural do país, com destaque para as suas manifestações populares (festas, folclores) e seu artesanato, algo que o torna um dos principais alvos para estudos antropológicos e históricos do Nordeste.

Sua pluralidade cultural é resultado da miscigenação de diversos povos, que trouxeram consigo o artesanato, a música e a gastronomia, e conservaram manifestações da cultura popular como: produção de cordéis (literatura popular), artesanato, principalmente em madeira, couro e argila, Festas de Pau de Bandeira e várias expressões das festas juninas, além de penitências religiosas. Apesar disso, ainda é uma região bastante periférica, com baixos investimentos econômicos e uma persistente desigualdade social.
O clima local é o semiárido com altas temperaturas ao longo de todo o ano e chuvas concentradas no primeiro semestre que fazem com que a umidade relativa do ar nos últimos meses do ano seja bem baixa. O bioma local é a caatinga, que quer dizer mata branca em tupi guarani, e é o único bioma exclusivamente brasileiro. Sua vegetação é adaptada à escassez de água (presente no segundo semestre), perdendo suas folhas e evitando assim a perda de água. Ventos sopram geralmente de leste e sudeste ao longo do ano.





O local escolhido para abrigar as atividades do hospital está localizado dentro do campus Lagoa Seca, do centro universitário Unileão, uma zona de fácil acesso e ainda pouco adensada. Possui o campus totalmente aberto à população. Junto ao campus da UFCA – Universidade Federal do Cariri – , ao campus do IFCE – Instituto Federal do Ceará – , além de alguns colégios, todos bastante próximos, o Hospital integra o principal polo educacional da cidade.
Planta Pavimento Térreo, Pavimento Superior, Cobertura e Composição Formal do Hospital
Já o terreno propriamente dito possui um desnível de 7 metros ao longo de 150 metros de comprimento, gerando uma inclinação de aproximadamente 5% nesta dimensão. Tem um formato trapezoidal, onde a base maior (voltada a leste) possui 136,00m, a base menor (voltada a oeste) possui 102,00m, o lado voltado a norte com 150m e o lado voltado a sul com 130,00m. Sua área total, portanto, é de 15.206,17m².
Corte Perspectivado e Cortes A, B, C, D e E
O edifício parte da premissa de proporcionar muito conforto e bem-estar aos usuários, sejam eles animais ou pessoas. Para isso tivemos que adaptar o edifício ao clima existente, utilizar vegetação nativa ou adaptada ao lugar, além de valorizar a cultura, os materiais e a mão-de-obra da própria região, para que haja um fomento da economia local e o equipamento seja um combustível para a valorização do lugar.

Apresentação Elemento Vazado





A busca por uma fluidez espacial, com espaços dinâmicos, planos curvos e inclinados, busca uma maior associação com a natureza e o ambiente natural dos animais, facilitando o seu bem-estar e a sua adaptação, evitando desconfortos.





Quando se trata de equipamentos de saúde, o conceito de humanizar espaços é bem difundido, com pesquisa indicando a importância do espaço para a recuperação dos pacientes. Pois bem, este mesmo conceito foi utilizado também neste equipamento, só que agora também para os animais. “Humanizar animais” talvez seja um pouco inadequado, mas proporcionar o mesmo conforto que damos para nós, a eles, já é uma necessidade. Neste espaço, temos o mesmo tratamento, somos todos animais.
A ideia principal foi a concepção de uma grande coberta solta da edificação, proporcionando muita sombra para as atividades que acontecem logo abaixo. Essa coberta, em telhas metálicas e translúcidas, é sustentada por treliças metálicas curvas, como se fossem ondas, com interrupções estrategicamente posicionadas para permitir a renovação do ar e consequentemente a saída do ar quente.
As telhas translúcidas garantem o aproveitamento da luz natural. A grande sombra protege não só os edifícios abaixo como também todos os espaços livres entre eles, incluindo jardins, circulações, áreas de convivência, piquetes, ambulatório e recepção.





As atividades do hospital foram distribuídas em seis blocos (retangulares ou trapezoidais) afastados entre si, gerando espaços entre eles e permitindo a livre ventilação cruzada. Esses espaços são repletos de jardins que trazem umidade, gerando um microclima agradável e contribuindo para a regulação da temperatura, principalmente na época seca. O fechamento desses edifícios é feito em esquadrias de alumínio branco e vidro, moduladas, em faixas verticais e desencontradas, ora nascendo do topo, ora do piso, tornando as fachadas mais dinâmicas e captando a iluminação necessária para cada ambiente interno.
Uma grande proteção solar, de sete metros de altura, feita com tijolos cerâmicos maciços desencontrados, filtra a luz do sol intensa na região e protege o interior do edifício. Seu formato ondulado traz mais estabilidade para o elemento e dialoga com as curvas da coberta. Além da proteção solar na fachada poente, serve também de separação entre o setor público e privado do equipamento.



ficha técnica
Local: Juazeiro do Norte, CE, Brasil
Ano de início da obra: 2019
Ano de conclusão do projeto: 2023
Área do projeto: 5.236,85 m²
Arquitetura, interiores e paisagismo: Lins Arquitetos Associados – Cintia Lins e George Lins
Colaboradores: Gabriela Brasileiro, Joyce de Deus, Alessandra Braga, Armênia Araújo, Alice Teles, Mayara Rocha, Lia Lopes, Samuel Melo, Camila Tavares, Caroline Braga, Cristiellen Rodrigues, Thais Menescal e Paula Thiers
Construção: Ampla Engenharia
Instalações: Ampla Engenharia
Estrutura: Tiago Ivo
Cobertura: Vão Livre
Fotos: Joana França
Contato: contato@linsarquitetos.com.br
Premiação:
Obra do ano Archdaily Brasil – 2024
galeria









































































colaboração editorial
deseja citar esse post?
LINS, Cintia. LINS, George. “Hospital Veterinário Escola da Unileão”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n.,ago-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/08/29/hospital-veterinario-escola-da-unileao/. Acesso em: [incluir data do acesso].






















































